Gestão de Projetos e Método Ágil: um não substitui o outro

Startups e grandes empresas se confundem na aplicação, mas ambas podem se beneficiar utilizando as ferramentas em seus projetos...

Luís Marchi

Luís Marchi· 20 Feb 2020

Gestão de Projetos e Método Ágil: um não substitui o outro

Há algum tempo estou me aprofundando tanto na teoria quanto na prática de um dos temas mais requisitados do momento: Método Ágil.

 

Artigos, matérias em revistas, livros e até a descrição de oportunidades de emprego: está todo mundo falando de Método Ágil. Esse tema está tão atual quanto Transformação Digital, outro tema muito presente nos dias atuais no mundo corporativo e de negócios.

 

Metodologia Ágil se tornou uma palavra da moda, que funciona praticamente como sinônimo de pessoa antenada e atualizada com os novos requisitos do mercado.

 

Trabalho há algum tempo com gestão de projetos corporativos (PMO) e leio bastante a respeito do tema, porém ultimamente eu particularmente venho notando muita inconsistência sobre o que falam e como aplicam gestão de projetos e Método Ágil, como se um substituísse o outro.

 

Primeiramente acredito que o Método Ágil e ser uma empresa ágil são coisas diferentes. Ser uma empresa ágil independe de ser uma startup ou uma multinacional. Acredito que ser ágil está primariamente ligado com a cultura e estrutura da empresa, que se traduzem em fatores como por exemplo flexibilidade e network interno somados a uma e equipe composta de pessoas dinâmicas e com senso empreendedor, uma estrutura que propicia rápidas tomadas de decisões, processos internos transparentes, concisos e orientados a performance dentre outros.

 

Já o Método Ágil está relacionado às ferramentas e rotinas que podem ser aplicadas na implantação de alguns projetos.

 

Recentemente trabalhei em uma grande cadeia varejista, com histórico e grande representatividade em vendas on line. Nesta empresa fui responsável por  criar e colocar em produção um novo canal digital de vendas, o marketplace da empresa. Este departamento era  formado basicamente por pessoas oriundas do departamento de TI, com formação e skill técnicos de tecnologia da informação.

 

Utilizar o Método Ágil para criar o produto marketplace (um software, com muitas integrações e modelo voltado para operacionalizar um novo conceito de vendas on line) foi uma experiência incrível, onde vi na prática alguns conceitos do método ágil tais como o quadro kanban, gráficos de burn down, sprints, reuniões de plannings, retros, reviews e etc.

 

Para a criação desta aplicação de TI, funcionou muito bem e na minha visão é isso que venho notando no mercado, que aliás a própria metodologia Scrum, em seu manifesto ágil, primeiros slides de qualquer treinamento no tema diz:

 

“ cobrindo melhores métodos para desenvolvimento de software ”

 

Mas e quando existem demandas que não envolvem a somente criação de um software / sistema ou mesmo quando a demanda envolve a criação de uma aplicação sistêmica mas não tem o escopo limitado a isso como por exemplo um e-commerce em expansão que quer abrir um novo centro de distribuição em uma nova região? Note que este novo CD também terá a maioria de seus controles internos e integrações com outras áreas da empresa através de sistemas.

 

Seria possível fazer MVP (produto mínimo viável)? sprints ? aplicar o método ágil e toda a sua essência?

 

Ultimamente venho notando grandes empresas que entram nessa confusão e partem para uma execução pífia, cheia de problemas e ineficiências, isso tudo por que tem muitos gestores e lideranças se encantando com uma das mais atuais ondas do mercado, tentando fazer só porque está na moda.

 

Startups geralmente nascem em volta do seu produto / serviço onde há necessidade de se testar e validar o mesmo para se encontrar e começar a crescer. Acontece que geralmente, a solução das startups passa por ser um software, ainda embrionário e que de forma evolutiva, se propõe a mudar com inovação algo que o mercado já faz há algum tempo.

 

Aí que vem o problema na minha opinião: uma miopia enorme de muitas empresas e gestores sobre como fazer e o que utilizar como metodologias dentro das empresas, muitas vezes, movidos pela última tendência de mercado ou apenas por saber que muitas startups e empresas da moda utilizam, mas sem conhecimento profundo do tema deixando de fazer o que é melhor para a empresa apenas para seguir o que está na moda.

 

Particularmente vejo o Método Ágil com aplicação para desenvolvimento de produtos, mais especificamente software, onde o mesmo sofre muitas e constantes melhorias durante o tempo (novas funcionalidades por exemplo) e aí grandes empresas podem se beneficiar, pois geralmente elas tem muitos produtos e também sistemas legados que suportam sua operação.

 

Assim como as grandes empresas podem e devem buscar o método ágil internamente as startups devem também buscar utilizar a gestão de projetos nos seus desafios internos ressaltando que previamente ao menos conheçam e entendam seus conceitos, suas aplicações e vantagens.

 

Startups, majoritariamente correm atrás de crescimento, entregas e resultados, campo farto para aplicabilidade da gestão de projetos, mas muitos empreendedores relegam os benefícios que a gestão de projetos pode trazer pelo simples fato de desconhecer o tema ou mesmo porque é um conceito mais antigo e não da moda.

Luís Marchi · 20 Feb 2020

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