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O Poder da Execução

Muito se fala sobre ideias disruptivas e estratégias infalíveis, mas nas startups vencedoras um dos grandes diferenciais é a capacidade de execução.

O Poder da Execução

No crescente e aquecido ecossistema de startups brasileiro, as tarefas de encontrar, selecionar e decidir sobre investimento é cada vez mais complexa e árdua no dia a dia dos investidores. Uma mistura de fatores como experiência, intuição, análises e de técnicas são geralmente levados em conta na avaliação de startups pelos investidores à procura de um bom investimento, mas muitas vezes estes fatores nem sempre levam a grandes “descobertas” e excelentes retornos.

Existem várias quesitos e ferramentas para analisar uma startup que postula receber investimento, mas neste artigo quero fazer uma reflexão sobre um aspecto que deve ser levado em conta não só na avaliação de startups mas também no sentido mais amplo da vida profissional, estou falando da capacidade de execução.

Hoje em dia com tanta informação, diversificação de oportunidades e meios, vemos cada vez mais iniciativas sendo colocadas em prática. Por outro lado, como que ficam as entregas? a famosa acabativa?

A capacidade de execução e de entrega no meu ponto de vista é uma característica que deve ter muito peso na hora de avaliar uma startup que procura investimento.

Quem nunca se deparou com uma startup maravilhosa no power point onde a ideia é disruptiva, a estratégia parece infalível e tudo é muito promissor e empolgante? Conforme aquele velho ditado diz “o papel aceita tudo” e o que conta na prática, que faz uma empresa ser vencedora é a sua capacidade de execução e de entregar.

No geral, a cultura e a formação elementar brasileira não ajuda muito, pois não somos criados com essa familiaridade de entregáveis e metas, portanto em muitas oportunidades temos dificuldade até mesmo em entender o que é relevante e precisa ser entregue, gerando muita iniciativa e pouca acabativa (capacidade de se concluir algo iniciado), comprometendo significativamente nossa capacidade de execução e de entrega.

Dentro da rotina de uma startup muitas vezes há uma forte necessidade de se testar hipóteses e muitas vezes pivotar o negócio, sendo assim executar consistentemente e com excelência faz parte da rotina obrigatória do time. Uma startup que “não tira os problemas da frente” não progride e caminha a passos largos para vale da morte, pois na maioria das vezes a startup tem pouca ou nenhuma receita e muitos custos e despesas para se manter em pé, é o famoso cash burn rate e nesse caso o tempo joga contra.

Acredito que primeiramente, a capacidade de execução de uma startup deve ser analisada com o olhar para seu ambiente interno e para isso algumas características devem ser procuradas. Estas características são pessoas, liderança, metas com acompanhamento e por fim cultura de execução.

Antes de tudo, time. O time de uma startup deve ter a capacidade de entender todo o contexto em que o negócio se encontra, quebrar isso em problemas e entregas menores e a partir daí se organizar para fazer estas entregas saírem o do papel.

São as pessoas as peças mais importantes de qualquer startup e são elas que criam e fazem as coisas acontecer. Portanto ter um time forte, bem preparado e com os skills adequados para o negócio é mais do que meio caminho andado para que a capacidade de execução e entrega da startup seja elevada.

Entretanto um ponto relevante a destacar aqui é o entrosamento e integração dos membros deste time. Quanto mais alinhado e integrado o time, maiores as chances das entregas serem atingidas. De nada adianta ter pessoas brilhantes se as mesmas não estão focadas no negócio ou mesmo se cada uma está indo para um lado diferente, e aí está um dos papéis mais importantes do líder da startup, integrar e engajar o time.

Um forte indício sobre a capacidade de execução e de entregas de uma startup está relacionado à alocação e dedicação dos founders. Geralmente startups com founders e colaboradores chaves que não tem dedicação integral e exclusiva (atuam com dedicação part time) apresentam tendência de baixa capacidade de execução, onde no mínimo prolongam e estendem os prazos de entregas, mas na maioria das vezes patinam com as entregas, contribuindo para um desânimo generalizado e perda de timing potencializando no médio e longo prazo a desistência e abandono do projeto da startup pelos próprios founders.

Outros pontos que devemos avaliar com relação a capacidade de execução da startup é a aplicação no dia a dia de algumas técnicas e ferramentas que reforçam essa característica, tais como definição de metas e objetivos estratégicos de forma clara e alinhada com toda a equipe.

Aqui neste ponto não basta apenas ter metas, mas também acompanhá-las na execução de forma periódica. Acompanhamento é chave quando se estabelece metas e objetivos mas devemos ter cuidado para que a startup não “se afogue” em dezenas de reuniões de status e controle bem como muitos relatórios de acompanhamento tornando a rotina muito pesada e desanimadora para os membros do time. O ponto aqui é buscar identificar na startup uma mecânica / rotina de acompanhamento das metas bem como a disciplina na execução desta mecânica.

Ainda neste viés de analise interna da startup, veja se a mesma possui uma cultura interna de execução. Meritocracia e programas de recompensas de colaboradores são ótimos indícios de que esta cultura de execução permeia na startup.

Por fim, antes de tomar a decisão de investir, junte mais peças deste quebra cabeça, analisando também um pequeno filme da startup em que pensa investir. Leve em conta um tempo para acompanhar e avaliar startups. O tempo ideal vai depender do estágio em que a mesma estiver e de quais marcos ou entregas você enxerga no horizonte futuro da mesma.

Geralmente um período de avaliação pode durar entre 4 e 12 semanas. Procure entender se o time vem conseguindo executar e entregar marcos importantes para o progresso do negócio bem como procure saber se nas semanas anteriores ao início da sua avaliação também foram feitos progressos e entregas relevantes.

Lembra do velho ditado que diz que “5% é inspiração e 95% é transpiração” pois é investidor, a capacidade de execução dos membros e consequentemente da startup em si é um fator decisivo entre o sucesso e o fracasso da mesma.

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